Nos últimos anos, a discussão sobre o papel dos BRICS na economia global ganhou força.
Composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o bloco vem buscando ampliar sua influência no comércio internacional e reduzir a dependência do dólar americano.
Mas será que os BRICS realmente podem superar o dólar como principal moeda global?
Neste artigo, vamos entender o contexto, os desafios e as possíveis consequências dessa mudança para investidores e economias emergentes.
🌍 A força do dólar no sistema financeiro global
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o dólar americano domina o comércio e as reservas internacionais.
Cerca de 60% das reservas cambiais mundiais ainda estão em dólar, e boa parte das transações globais — especialmente em energia e commodities — são precificadas nessa moeda.
Essa hegemonia garante aos EUA poder político e econômico, além de permitir financiamentos com juros menores e maior influência em decisões internacionais.
💱 O que os BRICS estão propondo
O bloco dos BRICS vem estudando alternativas para reduzir a dependência do dólar, como:
- Criação de uma moeda comum dos BRICS, usada em transações comerciais entre os países membros.
- Expansão do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), sediado em Xangai, para financiar projetos em moedas locais.
- Aumento do uso de moedas nacionais, como o yuan e o rublo, em acordos bilaterais.
Essas iniciativas buscam criar um sistema financeiro multipolar, onde o dólar não seja mais a única referência global.
📉 Desafios para substituir o dólar
Apesar da ambição, superar o dólar não é tarefa simples.
Alguns desafios dificultam essa transição:
- Confiança internacional: o dólar ainda é considerado a moeda mais estável e aceita no mundo.
- Infraestrutura financeira: os BRICS não possuem um sistema global de pagamentos tão consolidado quanto o SWIFT.
- Diferenças políticas e econômicas: as economias do bloco têm interesses divergentes e níveis distintos de estabilidade.
- Liquidez e transparência: moedas emergentes ainda enfrentam restrições cambiais e riscos de conversão.
Portanto, no curto prazo, a hegemonia do dólar segue sólida, mas o movimento dos BRICS já começa a gerar efeitos relevantes.
💡 Impactos para o Brasil e investidores
Para o Brasil, o fortalecimento dos BRICS pode trazer vantagens estratégicas, como:
- Maior independência comercial em relação ao dólar;
- Redução de custos cambiais em transações internacionais;
- Expansão de parcerias comerciais com países emergentes;
- Oportunidades de investimento em infraestrutura e energia.
Por outro lado, o país precisará lidar com volatilidade cambial e ajustes monetários, caso o dólar perca espaço no comércio internacional.
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💰 Como o investidor pode se posicionar
Independentemente de quem domine o sistema monetário, o investidor pode se beneficiar ao:
- Diversificar a carteira internacionalmente, incluindo ativos em diferentes moedas;
- Investir em ETFs globais e ouro, que funcionam como proteção contra desvalorização do dólar;
- Acompanhar o crescimento dos mercados emergentes, especialmente Índia e China;
- Monitorar os fundos e empresas ligados ao comércio internacional e à energia.
A transição monetária, se acontecer, será gradual — o que dá tempo para planejar e adaptar a estratégia de investimentos.
🧭 O que esperar do futuro
O mais provável é que o mundo caminhe para um sistema financeiro multipolar, com várias moedas dividindo espaço no comércio global.
O yuan chinês tende a ganhar relevância, enquanto o dólar seguirá dominante por mais tempo.
No entanto, a simples tentativa dos BRICS já sinaliza uma mudança de poder econômico global, onde países emergentes buscam mais protagonismo e autonomia.
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🚀 Conclusão
Os BRICS dificilmente substituirão o dólar no curto prazo, mas estão plantando as sementes de uma nova ordem econômica mundial.
Com o avanço da integração entre suas economias, o fortalecimento de suas moedas e a expansão de seus bancos, o bloco pode, sim, reduzir gradualmente a influência dos EUA.
Para os investidores, o recado é claro:
🌎 diversifique, acompanhe as tendências globais e esteja preparado para um mundo financeiro em transformação.


